Antes de sermos nós, somos outros que aos poucos possibilitamos outros ser outros se assim quiser ser...
Entre vírgulas e sílabas, construímos, desconstruímos, abundantes formas outras, toscas, dentre poucas outras de nós, que possamos realmente ver, ou possibilitar o outro ser...
O pilar nos nos sustenta, são formados por quadros, fatos, sentimentos, sentidos, as vezes efêmeros por outros, que reagem no âmago convicto, ímpeto, conciso e desconsertante do eu no outro que passamos a querer...
A prática do amor que julgamos nos mover, sustentar, energizar, endireitar, também oxida, desnuda e muda de forma brusca nosso jeito de ser e lhe dar, inclusive a própria forma de amar o outro ou a nós mesmos...
Abastecido entre imagens, carinhos, afetos, abraços e conselhos, também vejo-me preso a nuances de outros que aos poucos se tornam eu, e mudam meu eu, que já eu me fazer não ser somente eu, sim outro no outro...
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| Eu de novo (re)significando-me em mim... |
Estas mudanças que forjam as esperanças, permitem perscrutar o novo que de novo se transforma noutros e fazem dos sonhos meus outros, e trazem possibilidades reais vivenciar, bem como amar, mudar, renascer em mim um outro...
Entre palavras, resenhas, livros e relações, ver-se e ler-se é uma prática analítica, psíquica pessoal, que poucos na sua profundidade particular, conseguem mergulhar e decifrar, as verdadeiras imagens de si, que sustentam seu ser no ser de outro que a nós passa a ser, também se fazendo outro...
Inato, aleatório e vulgar, por vezes desprezamos o eu, que no outro encontra abrigo, protegido, conciso, refletido, e ali buscamos nos atracar, e sentimos no outro, a imagem do eu, que confunde o eu fazendo dele outro...
Redes estendidas, sombra fresca e água para nos hidratar, perdem-nos em fantasias, miragens, imagens de nós que diferente de nós queremos estar, e entregamos ao alento o que nós podemos ser no ser de outro que outro passa a nos transformar...
Se ser eu é difícil, ínfimo, incapaz, o outro que mesmo sendo outro também insiste em ser outro, e faz com que eu com meu eu distancie de mim, busque meu eu no outro que o outro também deseja ser...
Aí percebemos que ser outro é perigoso, já que também o outro, outro deseja ser...
Seja essa ou outra a sina, refaço a rima, arrumo a mala e faço das valas abertas no meu consciente, trincheiras, ou simplesmente mudo para outro lugar...
Mudo minha forma de ser, meu cabelo, deixo a barba e o pelos do rosto crescer, e parto rumo a busca perene de mim, buscando a mim e somente a mim encontrar, mesmo que deste lugar outro eu vier a ser...
Mudo minha forma de ser, meu cabelo, deixo a barba e o pelos do rosto crescer, e parto rumo a busca perene de mim, buscando a mim e somente a mim encontrar, mesmo que deste lugar outro eu vier a ser...

Bela escrita Nego...
ResponderExcluirBelo título rsrsrs
Reflete um eu poético,mas que ao mesmo tempo se mostra realista e convicto.
Geralmente nos exergamos nos outros e esse exrcício ajuda a nos ocnhecermos melhor. Olhar o outro permite se perceber como de fora mas também nos ajuda a compreensão de si...
A palavra foi dada ao homem para explicar os seus pensamentos, e assim como os pensamentos são os retratos das coisas, da mesma forma as nossas palavras são retratos dos nossos pensamentos.
Jean Molière