terça-feira, 27 de março de 2012

Interseccionalidades e os Novos Olhares...

Brasília 26 de março de 2012;


Após 18 horas de viagem do Rio de Janeiro a Brasília/DF, estou mais uma vez na capital das decisões políticas brasileiras. Aqui, onde boa parte de tudo que é decido para a vida dos/as brasileiros/as terá nos próximos dias, uma formação que já se mostra fundamental para minha formação.

Ao fim do primeiro dia da Atividade da formação “Interseccionalidades de raça, gênero e geração nas Políticas Públicas e no Orçamento Público, com foco na saúde das mulheres negras”organizado pelo UNFPA e CRIOLA, que se estende até o dia 31 de março de 2012 em Brasília/DF, revela no término de seu primeiro dia, grandes expectativas, além de um rico e denso debate rumo a apropriação de novos conhecimentos. A formação destinada a lideranças negras das cinco regiões do Brasil, busca qualificar ações para impactos nas políticas públicas de saúde destinadas à população negra brasileira, em que pese o direito à saúde das mulheres negras.

O resgate coletivo do ativismo histórico das lutas sociais, sem perder o foco nas mulheres negras e na saúde, gerou a estruturação de uma linha do tempo dos marcos históricos significativos para as/os participantes. À frente desta dinâmica, estiveram Fernanda Lopes (UNFPA) e Lúcia Xavier (CRIOLA) que instigaram a identificação das/os várias/os sujeitos políticos que lutam pelos Direitos Humanos (sociais, políticos, econômicos, culturais entre outros).

Indubitavelmente uma das mais importantes capacitações de minha vida...
Lúcia Xavier(CRIOLA), apropriando de uma metodologia didática de alcance a todas/os, com sensibilidade e respeito às diversidades físicas, sexuais, geracionais presentes na atividade, fez de sua exposição um poema de fácil assimilação, quando tratou da harmonização de conceitos e abordagens sobre a Construção dos Sujeitos Políticos e sobre Direitos Humanos. Abriu e aprofundou discussão em torno do conceito de Kimberle Crenshaw (criado no processo da Conferência de Durban 2001), onde o uso metodológico das interseccionalidades foi primeiramente apresentado, com o objetivo de refletir sobre o alcance dos direitos às diferentes mulheres no mundo.

O dia se encerrou com a apresentação de Alexandre Ciconello (INESP) que refletiu sobre o Plano Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais/PIDESC incluindo também o Ambiental. Segundo Alexandre “não da para se pensar Direitos Humanos no Brasil, sem pensar na dimensão racial e de gênero”.

O primeiro dia foi uma importante base, que sustentará as várias outras reflexões desta capacitação que se mostra extremamente promissora. Um novo mundo que se apresenta aos meus olhos...

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