Brasília 26 de março de 2012;
Após 18 horas de viagem do Rio de Janeiro a Brasília/DF, estou mais uma vez na capital das decisões políticas brasileiras. Aqui, onde boa parte de tudo que é decido para a vida dos/as brasileiros/as terá nos próximos dias, uma formação que já se mostra fundamental para minha formação.
Ao fim do primeiro dia da Atividade da formação
“Interseccionalidades de raça, gênero e
geração nas Políticas Públicas e no Orçamento Público, com foco na saúde das
mulheres negras”organizado pelo UNFPA e CRIOLA, que se estende até o dia 31
de março de 2012 em Brasília/DF, revela no término de seu primeiro dia, grandes
expectativas, além de um rico e denso debate rumo a apropriação de novos
conhecimentos. A formação destinada a lideranças negras das cinco regiões do
Brasil, busca qualificar ações para impactos nas políticas públicas de saúde
destinadas à população negra brasileira, em que pese o direito à saúde das
mulheres negras.
O resgate coletivo do ativismo histórico
das lutas sociais, sem perder o foco nas mulheres negras e na saúde, gerou a
estruturação de uma linha do tempo dos marcos históricos significativos para as/os
participantes. À frente desta dinâmica, estiveram Fernanda Lopes (UNFPA) e
Lúcia Xavier (CRIOLA) que instigaram a identificação das/os várias/os sujeitos políticos
que lutam pelos Direitos Humanos (sociais, políticos, econômicos, culturais entre
outros).
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| Indubitavelmente uma das mais importantes capacitações de minha vida... |
Lúcia Xavier(CRIOLA), apropriando
de uma metodologia didática de alcance a todas/os, com sensibilidade e respeito
às diversidades físicas, sexuais, geracionais presentes na atividade, fez de
sua exposição um poema de fácil assimilação, quando tratou da harmonização de conceitos
e abordagens sobre a Construção dos Sujeitos Políticos e sobre Direitos Humanos.
Abriu e aprofundou discussão em torno do conceito de Kimberle Crenshaw (criado no
processo da Conferência de Durban 2001), onde o uso metodológico das interseccionalidades
foi primeiramente apresentado, com o objetivo de refletir sobre o alcance dos
direitos às diferentes mulheres no mundo.
O dia se encerrou com a
apresentação de Alexandre Ciconello (INESP) que refletiu sobre o Plano
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais/PIDESC incluindo
também o Ambiental. Segundo Alexandre “não da para se pensar Direitos Humanos
no Brasil, sem pensar na dimensão racial e de gênero”.
O primeiro dia foi uma importante
base, que sustentará as várias outras reflexões desta capacitação que se mostra
extremamente promissora. Um novo mundo que se apresenta aos meus olhos...

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