Qual o momento correto para mudar de estratégia, postura, mudar de fase?
Tenho a sorte de conseguir lembrar bem dos momentos decisivos e finais dos meus processos de mudanças.
A exemplo de quando criança, decidi em um dia de chuva, não mais brincar, largar mão daquelas coisas que fazia. Foi quando disse a um amigo de infância (Claudiney Pereira Martins), ao me chamar para brincar, que não iria mais, nunca mais... E assim foi. Como em um estalar de dedos minha infância se perdeu no ardente e delicioso sabor adolescente... As brincadeiras logo foram substituídas pelas paqueras. Perdia a hora na esquina próxima de minha casa... Aquele era meu novo mundo...
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| Escultura em Ferro do Vale do Jequitinhonha |
Deixei para traz com o advento daquelas novas atrações, não só as brincadeiras de criança, e a molecagem que me dividia com amigos. Muitas surras marcam essa faze, mas todas elas bem merecida, com exceção de uma (quando julgado injustamente por um tio que morava no mesmo quintal, e que me renderam dolorosas 03 chibatadas de meu pai).
Sempre fui muito observador, lembro que ainda adolescente era exortado pelos meus irmãos mais velhos a voltar a ser criança, empurravam-me muitas vezes para sair das proximidades do ciclo dos amigos om maiores idades, em especial das amigas . Nunca disputamos mulheres, mas eu poderia causar algum tipo de problema ali rsrsrsrsrs... Ficava, olhando, observando e anotando tudo o que acontecia naquele espaço. Eu copiava as posturas deles e as reproduzia junto aos adolescentes. Mas essa fase logo ficou chata, então decidi ser jovem... Este foi um processo mais difícil, forcei um pouco a barra, mas ocorreu de fato, somente quando assistindo um desenho que não é mais veiculado no SBT (Punck a levada da breca), aprendi o que era ter consciência. Aquilo mudou a minha vida. No episódio ela, Punck, contava para o avô que estava arrependida por algo que fez na escola com uma de suas amigas, e descreveu o que sentia comparando com uma bolha que estava crescendo dentro do seu peito... Sabiamente o velho, que agora não me recordo o nome, disse que aquela bola era a tal da consciência, que adquirimos quando crescemos, logo aquilo era sinônimo de crescimento...
Foi quando eu me tornei jovem... rsrsrsrsrs... prematura é claro... rsrsrsrsrsrsrs...
Hoje, ao deixar a panela com o arroz carreteiro que fazia no almoço se queimar, pensei na condição que atualmente me encontro e no processo de saída dessa fase que em si, é a mais longa de todas as por mim vivido. Enquanto botei tudo na panela, dorei a cebola e o tempero no azeite, adicionei a adicionei o tomate e carnes, linguiça defumada, coloquei a água e fechei a panela, cometi a infelicidade de voltar ao computador e esqueci que aqui na frente dessa telinha o tempo passa mais rápido... rsrsrsrsr. Engraçado como permitimos isso... Nos perdemos em meio agendas, trabalhos, compromissos, igreja ou simplesmente com todas as coisas queremos e que resolvemos fazer tudo ao mesmo tempo. Algumas pessoas dizem que as mulheres fazem isso bem, e eu não vou descordar, mas longe isso ser um "dom", senão uma das mais violentas violências simbólicas da modernidade. Fazer várias coisas ao mesmo tempo para mim, é a causa e a prova que a vida feminina se desdobra em dar conta da casa, de nós, homens, filhos e ainda de sua própria vida é demais... Bem, pensando em reparar meus possíveis equívocos, tenho aprendido cozinhar, passar e lavar e já faço isso até bem, muito embora, deixe ás vezes o arroz queimar na panela rsrsrsrsrsrsrs...
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| Meu tênis prático... |
É fato que perdemos a noção de onde estamos muitas vezes durante a vida, e simplesmente deixamos o arroz queimar na panela... Enquanto isso ela passa, sem dar chance ao menos que paremos para amarrar o cadastro de nosso sapato... Por isso as encontramos formas de inovar sempre, damos mais agilidade a vida e mais praticidade a ela, a exemplo do querer crescer rápido...
Creio que falta-nos ainda a prática do exercício que os idosos fazem bem... Aqui no bairro que moro, Vicente de Carvalho, zona norte do Rio de Janeiro, tem muito deles... Passam horas na porta olhando a vida passar... Eles conseguem ver a vida por cima, talvez por ter alcançado a maturidade de perceber que as coisas bem mais simples, ou por já estarem calejados por complicar o que já é complicado...
Vejo que este momento já traduz uma passagem, que eu ainda tenho dificuldade de deixar para traz... Creio que pelo fato de a vida adulta não ter tanta atratividade senão as coisas que sei que acontecerão, ou ainda pode ser pelo meu latente hedonismo. O fato é que já prefiro confabular ao ir para o embate. Prefiro axiomas que a dúvida, e isso não cabe a um jovem.
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| Meus querido e fiel companheiro lau |
Há momentos na vida, que a melhor coisa a fazer é sair dela, dar uma afastada de tudo para analisar melhor os processos que nos tomam. Por isso sou partidário de Platão, Santo Agostinho, Descartes, Nietzsche, Freud, Sartre entre outros, que perceberam que o mergulho em si é de fundamental importância para entender a vida, para descobrir as coisas do mundo, aliás essa segunda é mera consequência... Somente tendo a experiência de sozinho em um quarto escuro, num sábado a noite que você de fato não é um pedófilo. Somente no exercício diário do ato de cozinhar, e para você mesmo, que se descobre o seu prato favorito. Somente se conhecendo bem, e vivendo experiências pessoais fortes, para saber sua preferência sexual, se mulher ou homem ou das duas coisa que também é uma possibilidade... Isso tenho conseguindo fazer de forma bem bacana nos últimos oito anos e agora com a ajuda desse portal, socializando... Os acontecimentos diários tem se tornado verdadeiras aulas, cujos conteúdos se resumem na experimentação empírica da vida propriamente dita, que vai se deslanchando na frente dos meus olhos... Este mergulho profundo em minha existência, revela que esta consciência que agora bate a porta, traz um novo momento que traduz um tempo de iniciar conclusões. Caso não seja capaz um voo panorâmico, quero ao menos arriscar cantar a vida ao som de um violão...



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