sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Flerte


Ela chega e analisa
Faz o raio X do ambiente
Percebe olhares e sorrisos
Encontra belezas 
E elementares intenções

Percebe a preto
Percebe o pardo
Percebe a branco

Para onde ir?
Adora o sorriso
Encanta-se com o aroma
É seduzida pela voz
Mas busca reciprocidade

De cá ela
De lá eles
Afasta-se 
E o flerte começa

Lança olhares
Fotografa
Percebe a espessura dos lábios

Imagina-os beijos
Imagina-os toques
Imagina-os na cama

Tomada
Domada
Realizada
Reciprocidada

Ele percebe que ela o olha
E já a deseja
Os olhares dialogam
A aproximação é inevitável

No compasso da música
Ela se aproxima
E ele a convida

Ele toca a pele dela
Como se estivesse nua
Ela se ajeita
E se lança na sedução
Ambos acendem
Com o doce cheiro da respiração

Ele fala
Ela sorrir
Ela tenta 
Ele esquiva
Eles perseguem
Lutam
Ela a quer
E ele mais ainda

A música no final
Os passos ficam lentos
As armaduras caem
Os olhares se comunicam

E a fusão acontece...


Um comentário:

  1. Flerte = constatação intraduzível em sentimentos separados uns dos outros... saber-se como larva transmuta em crisálida... esquecer-se de tudo para, enfim, começar a saber...

    Para reciprocidar...

    Os olhos que anunciam
    O meu descobrimento
    Conquistam estrelas
    Bem no meu firmamento

    Na órbita de um flerte
    Perdidamente
    A trajetória é uma
    Atração permanente
    Não há como fugir
    Não dá pra ter sossego

    Por um instante
    Tudo é um segredo
    Olhar cruzando olhar
    E um querer ardente
    Lá dentro a disparar
    O coração da gente

    Negros olhos da noite
    Claros verdes da mata
    Castanhos de rio
    Cristalino céu
    E esse azul que arrebata

    [João Bosco - O Flerte]

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