segunda-feira, 30 de julho de 2012

ISOLAMENTO


Aqui neste fundo lugar
Defronto com idéias minhas
E outras que querem me moldar

No silêncio desperta descobrir-me
No isolamento o medo de perder-me

Aspectos de tempos que me abraçam
E abarcam a subjetividade do meu ser

Privilégio de poucos
Quando posso calar-me
E descubro no tempo dado a mim
Para daí construir novos mundos

Novos saberes
Novos olhares
Insurgir contra normalidades
Contestar hegemonias
Abalar o status quo

Descolonizar minha mente ocupada
Superar a solidão com reflexão
Encontrar a estrutura necessária
Para continuar os passos

Um comentário:

  1. Preto...

    É nosso mestre Rosa quem nos ensina que "viver é um rasgar-se e remendar-se", porque "as coisas mudam no devagar depressa dos tempos".

    Ao retomar ontem um blog que eu havia deixado há algum tempo pareceu-me que quando somos nós o tema, a narrativa se torna uma experiência mais silenciadora que comunicável; porque ao realizar-se inédita e inaugural, ultrapassa a construção poética para ser também exercício filosófico, reflexão...

    E então, Rosa nos ensina que "o silêncio é a gente mesmo, demais". O sertão que ele nos diz ser dentro de nós é um infinito particular que, especialmente em momentos como este da sua poesia, a gente experimenta sondar, decifrar e conhecer em infinitude, porque também conhecemos aí o outro nome do sertão: travessia.

    Escutar esse silêncio é decifrar nossa neblina, afinal, "cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua"...

    Beijos meus,

    I.

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